Onde anda você? (12/01/2010)
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Comecei a ganhar um gostinho por uma vida fora do casulo paraense quando ganhei uma bolsa para estudar no Japão em 1989. Foi uma experiência incrível e que marcou minha vida para sempre. Uma cultura milenar contrastando harmoniosamente com tecnologia de ponta, me ensinou muito a respeitar verdadeiramente os mais velhos, os horários e o valor de uma amizade. A solidão profunda inicial se transformou em uma necessidade de cultivar novos amigos.
Mas após 2 anos, voltei ao Brasil e não era mais o mesmo. Fiquei mais alguns anos em Belém até mudar para São Paulo em 2003. E aí não parei mais de viajar, só que por força do trabalho. Foram dezenas de países, milhares de vôos, aeronaves, hotéis, restaurantes...
Viajo tanto que, em algumas dessas loucas viagens recentes, quando visitei 4 países do Caribe, América Central e do Sul em 4 dias, acordei em um hotel e não lembrava em que país estava. Levantei assustado, procurando alguma identificação do país, abri a janela e simplesmente não reconhecia onde era. Liguei para a telefonista, que deu uma boa risada da minha pergunta: "por favor, sabes decirme en que país estoy ahora??". Estava no Panamá, a caminho do Equador.
Culinária, costumes, dialetos, arquiteturas, é uma diversidade que te faz esquecer o cansaço e o stress do trabalho.
Sempre aproveito um tempinho para conhecer praias, mercados, parques, restaurantes novos. Mas tem momentos que o que bate mesmo é uma enorme saudade de Belém, do cheiro de chuva, do açaí na cuia, de uma boa redinha ao vento depois do almoço, de mussuan e filhote, do jeito intrometido do paraense, e do jeito como falamos. Nossa terra é muito boa, apesar de muito descuidada (e não é só pelos políticos, é por todos nós também!).
Por mais que viaje, sempre busco comparações, seja em Paris, Pittsburgh, Punta Del Este ou Kingston, fico pensando em como Belém é maravilhosa, com seus canais de mangueiras, a brisa da baía que sopra forte na virada da maré, a chuva baguda e morna que não dá vontade de correr dela...
Pena que para valorizar nossa terrinha é preciso estar tão longe... milhares de quilômetros, várias horas de vôo, para entender que Belém é boa demais!
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