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Meu garçom é um barato! (03/10/2009)

  Adriana Ferreira*
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Na seção "Meu Garçom é um Barato", você vai conhecer um pouco da vida e do trabalho desses profissionais que fazem o "Dia" e a "Noite" de Belém.

Se você conhece um garçom que é um barato, mande a dica que o Belém do Pará vai lá conferir.

Estreamos a seção com os perfis de Valentim dos Santos, do Amazon Beer, Jailton Ribeiro, do Roxy Bar, e Antonio Rodrigues, do Restaurante Avenida.

 

Valentim dos Santos (Amazon Beer)

Há 23 anos, Valentim dos Santos abraçou com carinho a tarefa de trabalhar durante “a diversão dos outros”. Com 56 anos, Valentim é garçom da cervejaria Amazon Beer, na Estação das Docas, e tem uma história profissional curiosa - trocou o expediente da construção civil para equilibrar pratos e bebidas na noite de Belém.

O início aconteceu por acaso: ao terminar o expediente nas obras ia até o restaurante onde a esposa trabalhava como balconista e acabava dando uma “forcinha” no atendimento. “Até que um dia que o chefe dela pediu para eu fazer um teste, gostou do meu desempenho e me perguntou se eu não queria trabalhar lá também”, relembra.

No Amazon Beer, Valentim aprendeu mais sobre cervejas – na casa são servidos cinco tipos diferentes – e sobre como garantir um bom atendimento aos paraenses e aos turistas dos mais diversos cantos do país e do mundo.

Belém do Pará – O que é mais divertido na profissão de garçom?

Valentim – É o contato com as pessoas. Qualquer um pode atender um pedido e servir uma bandeja, mas ser garçom é mais do que isso. É preciso entender o cliente.

Belém do Pará – Trabalhar em um ponto turístico com movimento intenso exige um pouco mais de conhecimento?

Valentim – Sim, com certeza. Acabamos tendo que aprender diversas coisas e não só sobre as cervejas e os pratos. Teve turista que já quis saber até a profundidade do rio em frente à Estação [das Docas].

Belém do Pará – Já passou por alguma situação engraçada?

Valentim – Quem trabalha na noite sempre tem muitas histórias, mas uma eu sempre recordo. Um rapaz só ia beber no restaurante em que eu trabalhava, não conversava e não tinha contato com ninguém, só comigo, para quem fazia os pedidos. Até que um dia uma moça pediu para fazer companhia a ele e, justamente neste dia, a esposa dele passou no restaurante. Aí, já viu a confusão né? (risos)

 

Jaílton Ribeiro (Roxy Bar)

Bom humor e simpatia não faltam a Jaílton Ribeiro, 44 anos, garçom do restaurante Roxy Bar, na esquina da Avenida Senador Lemos e Almirante Wandenkolk. Há 20 anos trabalhando na área, ele afirma que para ser um bom garçom é preciso esquecer os problemas pessoais e se concentrar no atendimento dos clientes. “Atendo a todos, independente da classe social, da melhor forma, sempre sorrindo. É muito bom ganhar a confiança das pessoas e vê-las voltar ao restaurante onde trabalhamos”, afirma.

O início na profissão foi determinado pela necessidade – Jaílton trocou o cargo de estoquista em um clube e passou a servir no restaurante do local. “Não fiz curso nenhum. Fui aprendendo na prática mesmo. Quando precisei servir à francesa, aprendi em casa mesmo, servindo a minha família. Não foi tão difícil”, diz.

Se foi parar na profissão “sem querer”, hoje, Jaílton não se imagina fazendo outra coisa. Desde o começo trabalha à noite e garante que já “nem se acostumaria a trabalhar de manhã”.

Belém do Pará – Qual o lado bom de trabalhar como garçom?

Jaílton – O lado bom é que temos contato com as mais diferentes pessoas. No local onde eu trabalho [restaurante Roxy Bar], atendo engenheiros, advogados, médicos e isso acaba dando informação sobre muitos assuntos.

Belém do Pará – Existe algum inconveniente em trabalhar na área?

Jaílton – O nosso atendimento tem que ser o mesmo para todo mundo, independente da classe social, se é rico ou se é pobre. Mas algumas pessoas, às vezes, exageram na bebida e isso é complicado. Só o tempo ensina a gente a lidar com isso.

Belém do Pará – Quem trabalha à noite sempre tem boas histórias pra contar. Relembre uma situação.

Jaílton – Eu e outros garçons mantínhamos uma amizade com um flanelinha que trabalhava próximo ao restaurante onde trabalhei; e esse contato já tinha uma certa intimidade. Uma vez, um cliente vindo de uma recepção estava de blusa branca e calça preta, como nós garçons nos vestimos. Esse flanelinha viu o cliente de costas e, para fazer uma graça, apalpou o bumbum do cliente achando que era um garçom. O cliente ficou assustado, mas depois levou na brincadeira.

 

Antônio Rodrigues (Restaurante Avenida)

Antônio Rodrigues, 56 anos, trabalha em uma área privilegiada de Belém – o cruzamento das avenidas Nazaré e Generalíssimo Deodoro. É no local que fica o tradicional restaurante Avenida, vizinho à Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, estabelecimento preferido de políticos e pessoas que visitam a cidade e buscam bons pratos regionais.

Cordialidade e discrição são duas características do garçom que já acumula 35 anos de profissão. Antônio começou como faxineiro em um restaurante logo após se mudar do município de Bragança, nordeste do Estado, para Belém. Em seguida, passou a investir em cursos de aperfeiçoamento.

Foi o fato de ser um bom observador que fez com que Antônio saísse da cozinha para o salão. “Perceber o estilo do cliente é o segredo para fazer um bom atendimento. Ele [cliente] vem ao restaurante para ter um momento de lazer e descontração e nós temos que fazer sempre o melhor”, afirma.

Belém do Pará – O Avenida é um restaurante tradicional e muito procurado por autoridades e turistas de fora do Brasil. Essa vivência ajuda a aperfeiçoar o atendimento?

Antônio – Perceber o estilo do cliente é o segredo para fazer um bom atendimento. E com o tempo a gente aprende que cada um tem seu jeito. Dá pra perceber isso com os clientes internacionais; os portugueses gostam de um tipo de atendimento, os japoneses de outro jeito.

Belém do Pará – Qual a maior desafio que você encontrou na profissão?

Antônio – Aprender a servir à francesa foi muito complicado. Pegar as colheres e servir o prato sem sujar a mesa e o próprio cliente foi bem difícil. Mas hoje já faço isso sem dificuldades.

Belém do Pará – Qual momento mais engraçado ao longo desses anos de trabalho?

Antônio – Uma coisa muito divertida que me aconteceu como garçom foi servir ‘Os Trapalhões’. Na década de 70, eles vieram a Belém e eu trabalhava em uma pizzaria. Reconheci os artistas e quase não consegui atendê-los porque não conseguia para de rir, principalmente quando olhava para o Zacarias. Foi muito legal!

 

Nota média: 10

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Últimos comentários:

marcilio guerreiro

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Nota: 10

Voces poderiam fazer uma reportagem com o garçon Souza que já trabalhou na Assembleia Paraense,hotel paraiso em mosqueiro e hoje esta no restaurante mexicano el bandoleiro,nao tem que nao goste dele quando este conhece o cliente ele ja sabe ate o que servir

Em 22/01/2010 10:10


Jefferson Ribeiro

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Nota: 10

sou super suspeito pra falar...afinal o Jailton é meu Pai... tenho muito orgulho dele... pois sei que se trata de um profissional super respeitado na sua área... isso nao so pelos seus clientes, mas sim pelos companheiros, colegas, amigos e patrões...

Em 22/01/2010 09:10


Paulo Ramalho

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Nota: 10

Sempre achei que é melhor ser amigo do garçom do que do dono. Afinal, quem te serve ? Está ai o Jailton, e a boa turma do Roxy, que não me deixam mentir. É só chegar que a "birita" (uma coca-cola geladinha, no meu caso) preferida baixa rapidinho na mesa, sem nem precisar levantar a mão. Show de bola.

Em 14/11/2009 10:48


Thyêgo Rodrigues

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Nota: 10

Realmente o garçom Antonio Rodrigues é um barato... Sao 35 anos na profissão, 27 só no Avenida, ele ama este restaurante. Servir as pessoas é uma arte e podemos dizer que ele desempenha esta arte com muita excelencia, não é atoa que tem clientes que só querem ser servidos por ele...

Em 20/10/2009 16:04


Wanda Cabral

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Nota: 10

Adorei, gostaria de sugeiri uma entrevista com o garçon João, que trabalha no Bar do Gilson, ele também foi do Maracaibo. Gente finíssima, sempre sabe oque gosto de beber, nem preciso pedir e já está lá. Abraço

Em 15/10/2009 09:24


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