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Santa Maria de Belém, Batman! (12/01/2010)

  Cesar Paes Barreto*
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Hoje, 12 de janeiro, comemoramos o aniversário de uma grande cidade: uma cidade que mescla prédios imponentes de um passado glorioso, com zonas de absoluta pobreza e violência. Uma cidade que cresceu desordenada, tanto pela falta de planejamento urbano, de políticas sociais e culturais, quanto pela vocação corrupta da sua elite e complacência da sua população. A cidade que aniversaria hoje tenta mostrar ao mundo sua imponência através dos nomes majestosos de seus prédios e bairros residenciais, mas se vê incapaz de sair das trevas controladas pelo crime organizado, onde a prostituição, as drogas, violência e exploração são fatos cotidianos.

Que Belém nada, Mané! Tô falando é de Gotham City!

Foi num dia 12 de janeiro, em 1966, que a rede americana ABC estreou o primeiro episódio de Batman e Robin, estrelado por Adam West e Burt Ward. Obviamente que Ghotam City foi fundada bem antes, já que quando a série surgiu na TV, a cidade já era uma megalópole e Batman já existia nos quadrinhos da DC Comics desde a década de 30, do século passado. Mas foi a partir desse 12 de janeiro que Gotham City foi apresentada ao mundo inteiro, em preto e branco. Sombria e perigosa, na verdade Gotham City era mais preta do que branca.

O que quase ninguém sabe é que Gotham teve outro morador ilustre, além de Bruce Wayne. Quem pagava IPTU por lá nos anos 40 também era Alan Scott, mais conhecido na intimidade como Lanterna Verde, o original.

Ora, ora: sou mais Belém. Se Gotham teve um Lanterna Verde, aqui a gente tem uma em cada mangueira, esverdeando as noites no túnel da avenida Nazaré.

E as semelhanças entre as duas cidades não param de pipocar na minha cachola: se Gotham tinha um Batman interpretado por um Adam West totalmente fora de forma e despreparado para o papel, o manda chuva daqui não deixa nada a desejar. E mais: se o Bruce adotou um órfão que trabalhava num circo para ajudá-lo nas suas presepadas, o daqui adotou um sobrinho, que dizem, adora uma traquinagem também.

E assim como lá, a gente segue tocando a vida aqui, acreditando e se decepcionando com super heróis, que chegam com ares de salvadores da pátria. Mas tudo não passa de fantasia. Comemorar o quê, Santa Maria de Gotham City do Grão Pará?

 

* Cesar Paes Barreto é arquiteto e urbanista por formação, publicitário pela paixão de criar, músico amador por pura teimosia e cronista do belemdopara pelo fantástico salário.

 

Nota média: 10

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Últimos comentários:

José Pedro Bastos Cavalléro

ver comentários de José Pedro

Nota: 10

Égua do texto paid'égua, Cesar!

Em 03/02/2010 22:08


Maximiana Lencastre

ver comentários de Maximiana

Nota: 9

Até que enfim, alguém enxerga as mazelas dessa cidade, bonita e desprezada. Se uns poucos ilustres olhasse com olhos de civilizados, Belém seria, de fato, a capital da Amazônia.

Em 28/01/2010 21:41


Luiza Aguiar

ver comentários de Luiza

Nota: 10

Sensacional!

Em 13/01/2010 12:26


Jaime Bibas

ver comentários de Jaime

Nota: 10

Que delícia essa tua crônica...

Em 12/01/2010 19:50

   Resposta de Cesar Paes Barreto, em 12/01/2010 21:49

Bibas, Você não imagina o quanto eu fico feliz e gabola com os seus elogios. Obrigado pelo estímulo desde os tempos que o belemdopara ainda usava cueiros. abs Cesar

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